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Morbid Tales
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Underground não é apenas música, é uma forma de viver! Toda cultura deve ser respeitada!
 
 
 
 
DIGA NÃO AO RACISMO!
 
 

Cela De Ossos

No alto de uma montanha, aquela torre se misturava à neblina e ao frio. Foi cuidadosamente construída para o prazer de velhos pervertidos no auge de sua insanidade. Magníficas cenas de violência e dor para preencher olhos sedentos...ah, eles lacrimejavam de prazer...
Assim era o cotidiano daqueles anciãos, com sua mais bela criação de lobos treinados para dilacerar até a morte.
Aquela cela já fedia à tanta carne podre, e aqueles lobos que nela viviam adoravam, pelo seu tapete de carcaças que alimentava e confortava.
Vísceras,  couro humano, membros expostos e arruinados eram sua maior satisfação.
Tudo se iniciava pela captura, logo após aprisionavam e empalavam, serviam o espeto de corpo cru e vivo para os mais belos caninos afiados consumirem.
Um grupo de psicopatas vivendo ao redor de um vilarejo sem lei, aterrorizava a todos aqueles garotos que lá viviam.
Eram sempre pegos de surpresa, desacordavam, e quando voltavam à lucidez já se iniciava a oferenda aos animais da cela.
A dor lenta e profunda, sangue escorrendo e enlouquecendo os paladares e visões, era uma orquestra de agonia e risadas delirantes.
O medo tomava conta daquele vilarejo, e nunca conseguiram pegar os culpados. Era tudo muito bem planejado e calculado. Os garotos ficavam na angústia tenebrosa de imaginar que poderiam ser os próximos.
Eram escolhidos os rostos mais bonitos e angelicais, garotos saudáveis e bem aparentados eram o prato preferido.
O vigor da beleza e da juventude gerava muito asco, era preciso satisfazer o desejo de vingança à raça humana mais bem favorecida.
Ah...a vingança! Não existia coisa mais bela e satisfatória para eles. O ódio alimenta uma força desconhecida e absoluta, aquela que age a cada reação de revolta e asco.
Eles estavam no fim da vida, e assim como anjos da morte, precisavam levar uns cem mil, ou três vezes mais, quem sabe.
Como era satisfatório ver tudo aquilo, oh,  a boca salivava e os olhos brilhavam, e brilhavam...
“Ah, como eu gozo em ver esses fétidos guris agonizarem como frangos no espeto para a grande ceia!”
Frases assim entre um copo de whisky e outro, cigarros enfumaçavam o nobre salão no subsolo da torre, um compartimento muito bem escondido, acima de qualquer suspeita.
O terror continuava sempre no vilarejo, grupos de pessoas caçavam e nunca achavam nada.
Não havia vestígios, não havia suspeitas, não havia sobreviventes.
Era o matadouro de jovenzinhos bem convictos e bem dotados, o palco da grande vingança pelo ódio às leis vitais, cela de ossos e prazer.

 
 
 

Final de Inverno

 

Final de tarde, céu fechado, neblina, muito frio. Ela chorava incondicionalmente, gritava. Descalça e sangrando, perdida entre árvores, cipós e trilhas, ela não via saída para a desgraça que o destino reservava...foi certo.
O inferno não durou pouco, a agonia foi profunda e prolongada. Entre berros, choro, dor e o orvalho das folhas misturado ao sangue, dilacerava-se pouco a pouco o corpo  estremecido pelo medo. A morte chegou. Os convidados também. Começa a celebração Necromântica, o início da noite, o início da morte-viva. Entre volúpia, orgias e necrofagia, a lua de inverno assistia a cada detalhe. Um grupo de jovens alucinados, unidos por um laço mágico, físico e emocional, buscavam algo imaginavelmente supremo, desconhecido talvez...buscavam pela força que não tinham, que provavelmente iria salvá-los da vulnerabilidade humana, a maldita vulnerabilidade...
Foi uma noite alucinante, os ânimos estavam à flor da pele, algum ópio escondido na corrente sangüínea...o sol nasceu, estava radiante.
Mit era a mais nova de todos eles, tinha 17 anos, 1,63 de altura e não gostava de ter pêlos em seu corpo...sobrancelha, cabelos, pêlos do corpo inteiro...tudo era extraído por ela. Sua mãe achava que tinha problemas mentais, principalmente depois do dia em que viu ela se masturbando com a lâmina de barbear. Ela não ligava, era muito convicta em suas idéias. Convicta de que tinha acabado de assassinar brutalmente uma jovem de 15 anos num ritual psicopata, e não se arrependera disso. Seu irmão mais velho, Sid, junto com seus amigos, Soi e Oli, planejaram e executaram a captura da garota. Levaram-na para a floresta próxima à cidade e iniciaram suas atrocidades. Mit acompanhou cada passo desse episódio, maravilhada com o sabor e a essência da situação, de morte e loucura.
Ali, naquela manhã ensolarada, estavam os quatro jovens, convictos em sua crença baseada em vários estudos de ocultismo, mesclados às “viagens” de ópio e ácido lisérgico, que lhes proporcionavam a acreditada visão além do alcance da sabedoria humana...se sentiam magníficos por ver o que ninguém via. Acreditavam ter realmente alcançado o apogeu da vitalidade com aquele ritual, mas tudo rapidamente foi se desfazendo quando logo se sentiam ainda meros humanos no final de uma viagem química. Foi deprimente , e isso os abalou profundamente, logo que se via uma mera ilusão de uma crença sem fundamento.
Tudo terminou exatamente as 9:45 da manhã, com todos aqueles quatro jovens, saltando como carneirinhos o abismo no
final da trilha da floresta, que terminava num rio, que agora banhava suas carcaças e se misturava ao sangue. Um belo suicídio coletivo.

 
 

 

Os três palhaços

Pouco se sabia sobre eles. Também ninguém tinha interesse em saber. Três pacatos homens, de meia-idade, vida padrão, considerados “totalmente normais” pela comunidade que moravam. Trabalhavam como palhaços em todas as festas da cidade, também possuíam uma lanchonete, na praça principal, a mais famosa da cidade.  Também havia na cidade um pequeno centro de quimbanda, detestado pela maioria dos habitantes, tradicionais e cristãos, da pacata cidade que moravam, acusado várias vezes pelo misterioso desaparecimento de várias crianças, todos os anos. São sempre seis crianças, de seis anos, em todos esses últimos anos, duas a cada três meses. Nunca mais apareceram, e todos faziam idéia do que seria, pelas misteriosas e macabras cartas que as famílias das vítimas recebiam:

“Caro senhor Alfredo, asfixiei Paulinho até a morte, então eu o cortei em pedaços. Levei nove dias para comê-lo.”

“Caro doutor Sílvio, degolei Sandrinha e cortei seus membros para moer em partes. Ela morreu virgem.”

E era assim por toda a cidade...vários suspeitos, freqüentadores do centro de quimbanda, foram presos. Mas os desaparecimentos continuavam, aterrorizando os habitantes daquela cidade.
As cartas sempre chegavam, sem endereço, sem selo, sem carimbo...apenas com o nome do pai, ou da mãe da criança desaparecida. Nunca conseguiram chegar ao verdadeiro autor de todos esses crimes, nunca desconfiaram de mais ninguém, nem mesmo os simpáticos palhacinhos que tinham a lanchonete mais famosa da cidade...
Louis, Ciro e Fausto, os adoráveis e gentis, não só alegrava as criancinhas, como a todos na cidade. Os três moravam juntos numa casa enorme, perto de uma floresta, um pouco afastado da cidade. Poucas pessoas já foram lá, e não passaram da sala de visitas.
Duas crianças na cidade eram fanáticas pelos três palhaços, Mirna e Silas, gêmeos, filhos do reverendo da cidade. Duas crianças bem curiosas, que resolveram fugir dos olhos da babá numa pracinha da cidade para ir visitar os três palhaços. Seguiram pela estrada de terra, andaram alguns minutos e chegaram à casa.
Chegando lá, foram recebidos por Louis:
“Olá crianças! Sou Louis...estou sem maquiagem, sem fantasias...mas sou eu mesmo, Tio Louis! Entrem!”
Elas entraram, meio confusas. Chegando na sala de visitas, Louis parou e disse:
“Esperem aí! Vou buscar biscoitos pra vocês.”
Entrou por uma porta que dava para um corredor, no final dele uma estreita porta metálica, com um pentagrama desenhado. Eles não hesitaram em abrir, e entraram. Ficaram intensamente assustados, choraram. Vísceras, ossos, pedaços de pele, membros infantis e um cadáver de criança empalado sobre uma churrasqueira grande.
Logo após chega Tio Louis com um reluzente, enorme e afiado machado, e uma faca de cozinha.

O desaparecimento de Mirna e Silas intrigou a todos na cidade, e levou o reverendo e sua mulher ao desespero. O delegado da cidade iniciou uma intensa busca pelas crianças, com vários detetives e policiais, que investigaram sem parar. Uma pista: as crianças foram vistas pela última vez entrando na casa dos três palhaços.
Que surpresa para eles, estavam abismados...mas a intensa busca continuava.
Invadiram a casa, descobriram o compartimento secreto por trás daquela portinha metálica e descobriram o paradeiro de todas aquelas criancinhas, todas as provas estavam ali.
Prenderam os três, Louis, Ciro e Fausto. Levantaram as fichas, descobriram que eles eram netos de Margô, uma “bruxa” famosa no passado por sacrificar crianças em rituais. Foi absolvida por alegar insanidade mental, logo após foi assassinada por um grupo de cristãos alienados. Deduziram que eles queriam continuar o legado da avó.
Na delegacia, o delegado interroga os três:
-“Quem foi o responsável por tudo isso?”
-“Nós três juntos.” Disse Louis, e os demais afirmaram.
O delegado continua:
-“Vocês são um bando de porcos depravados, desumanos, sujos...a mãe de vocês deveria ter abortado todos...seus desgraçados!”
Louis:
-“Nós fazemos um favor pra essa cidadezinha medíocre...alegramos a todos e agradamos a qualquer paladar com as maravilhosas especiarias da nossa lanchonete. O segredo? Carne fresca. Para nós e para todos. Inclusive o senhor, que reclama mas adorou quando comeu uma parte de Mirna no seu x-burger....”

Um tiro na testa de Louis o interrompe.

 
 

O Sol de Sangue

 

Foi na última chuvarada do ano, e a noite estava preta. O homem estava em casa, chegara tarde, exausto e molhado, depois de uma viagem mortificante, e comera, sem prazer, uma comida fria. Vestiu o pijama e ligou o rádio, mas o rádio estava ruim, roncando e estalando. Era tudo muito frio, obscuro. A solidão impregnava no vazio de sua alma. Seu coração estava congelado, com a morte que já tinha ido lhe visitar várias vezes...mãe, mulher, filhos...agora são apenas cadáveres. Não tinha mais motivo para continuar. Por que estava ali então? Não se sabia...as várias vezes que a lâmina chegou perto de seu pescoço, ou que sua arma chegou perto de sua cabeça, sempre desistia...talvez por medo de onde ia chegar, ou de não chegar a lugar algum. Mas parecia que aquela madrugada fria e chuvosa iria mudar tudo. Ali, naquele momento de intensa solitude, começou a ouvir barulhos estranhos lá fora. Gemidos, berros, vozes...quando escutou alguém chamar vagarosamente seu nome, uma voz que nunca havia ouvido antes. Ficou assustado e curioso. Quem o chamaria naquele lugar tão ermo que morava, naquela noite, com aquela chuva? Foi lá pra ver. De repente viu algo surreal, algo que nunca viu em sua vida, ficou boquiaberto. Era...uma mulher? Parecia...talvez...mas muito bizarra. Seres deploráveis e aberrações a seus pés. Era tudo muito estranho e irreal. Uma chama negra envolvia a todos. Havia um sol vermelho, cor de sangue, acima daquela criatura de beleza excêntrica. Tudo era muito assustador, envolvente, bizarro. Quando a voz daquela “mulher”, uma voz de demônios, crianças e agonizantes...algo incrivelmente surreal...encerrou o clima de espetáculo:

 

“Mortal infeliz, deplorado pela desgraça, seus dias de mórbida solidão chegaram ao fim. Junte-se aos teus amados, e aos meus pés.”

 

Ninguém sabe o que aconteceu, ninguém sabe a história certa, existem muitos boatos por aí...mas a visão do homem decapitado e mutilado seria inesquecível.

 

 

 

 
 
 
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