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Final de Inverno
Final de tarde, céu fechado, neblina, muito frio. Ela chorava incondicionalmente, gritava. Descalça e sangrando, perdida entre árvores, cipós e trilhas, ela não via saída para a desgraça que o destino reservava...foi certo. |
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Os três palhaços Pouco se sabia sobre eles. Também ninguém tinha interesse em saber. Três pacatos homens, de meia-idade, vida padrão, considerados “totalmente normais” pela comunidade que moravam. Trabalhavam como palhaços em todas as festas da cidade, também possuíam uma lanchonete, na praça principal, a mais famosa da cidade. Também havia na cidade um pequeno centro de quimbanda, detestado pela maioria dos habitantes, tradicionais e cristãos, da pacata cidade que moravam, acusado várias vezes pelo misterioso desaparecimento de várias crianças, todos os anos. São sempre seis crianças, de seis anos, em todos esses últimos anos, duas a cada três meses. Nunca mais apareceram, e todos faziam idéia do que seria, pelas misteriosas e macabras cartas que as famílias das vítimas recebiam: “Caro senhor Alfredo, asfixiei Paulinho até a morte, então eu o cortei em pedaços. Levei nove dias para comê-lo.” “Caro doutor Sílvio, degolei Sandrinha e cortei seus membros para moer em partes. Ela morreu virgem.” E era assim por toda a cidade...vários suspeitos, freqüentadores do centro de quimbanda, foram presos. Mas os desaparecimentos continuavam, aterrorizando os habitantes daquela cidade. O desaparecimento de Mirna e Silas intrigou a todos na cidade, e levou o reverendo e sua mulher ao desespero. O delegado da cidade iniciou uma intensa busca pelas crianças, com vários detetives e policiais, que investigaram sem parar. Uma pista: as crianças foram vistas pela última vez entrando na casa dos três palhaços. |
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O Sol de Sangue
Foi na última chuvarada do ano, e a noite estava preta. O homem estava em casa, chegara tarde, exausto e molhado, depois de uma viagem mortificante, e comera, sem prazer, uma comida fria. Vestiu o pijama e ligou o rádio, mas o rádio estava ruim, roncando e estalando. Era tudo muito frio, obscuro. A solidão impregnava no vazio de sua alma. Seu coração estava congelado, com a morte que já tinha ido lhe visitar várias vezes...mãe, mulher, filhos...agora são apenas cadáveres. Não tinha mais motivo para continuar. Por que estava ali então? Não se sabia...as várias vezes que a lâmina chegou perto de seu pescoço, ou que sua arma chegou perto de sua cabeça, sempre desistia...talvez por medo de onde ia chegar, ou de não chegar a lugar algum. Mas parecia que aquela madrugada fria e chuvosa iria mudar tudo. Ali, naquele momento de intensa solitude, começou a ouvir barulhos estranhos lá fora. Gemidos, berros, vozes...quando escutou alguém chamar vagarosamente seu nome, uma voz que nunca havia ouvido antes. Ficou assustado e curioso. Quem o chamaria naquele lugar tão ermo que morava, naquela noite, com aquela chuva? Foi lá pra ver. De repente viu algo surreal, algo que nunca viu em sua vida, ficou boquiaberto. Era...uma mulher? Parecia...talvez...mas muito bizarra. Seres deploráveis e aberrações a seus pés. Era tudo muito estranho e irreal. Uma chama negra envolvia a todos. Havia um sol vermelho, cor de sangue, acima daquela criatura de beleza excêntrica. Tudo era muito assustador, envolvente, bizarro. Quando a voz daquela “mulher”, uma voz de demônios, crianças e agonizantes...algo incrivelmente surreal...encerrou o clima de espetáculo:
“Mortal infeliz, deplorado pela desgraça, seus dias de mórbida solidão chegaram ao fim. Junte-se aos teus amados, e aos meus pés.”
Ninguém sabe o que aconteceu, ninguém sabe a história certa, existem muitos boatos por aí...mas a visão do homem decapitado e mutilado seria inesquecível. |
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