Body Art
Neia Assis
Performance
Dentro da Body Art também existe a performance. Que tem sua definição de arte que combina elementos de teatro, das artes visuais e da música. A performance ligada também ao happening, sendo que neste o espectador participa da cena proposta pelo artista, enquanto na performance, não há participação do publico (o artista pode interagir de forma espontânea com o publico sem que este intervenha de forma direta na obra). A performance pode ser entendida a partir dos desenvolvimentos da pop art, do minimalismo e da arte conceitual, que tomaram a cena artística nas décadas de 1960 e 1970.
A arte contemporânea põe em cheque os enquadramentos sociais e artísticos do modernismo, abrindo-se as experiências culturais diferentes. Portanto instalações, happening e performances são amplamente realizados, sinalizando um certo espírito das novas orientações da arte: as tentativas de dirigir a criação artística às coisas do mundo, a natureza e a realidade urbana. Cada vez mais as obras articulam em diferentes modalidades de arte. As relações entre arte e a vida cotidiana, assim como o rompimento das barreiras entre arte e não-arte constituem preocupações centrais para a performance, o que permite flagrar sua filiação as experiências realizadas pelos “surrealistas” e sobretudo pelos “dadaístas”.
Trabalhos muito diferentes entre si, realizados entre as décadas de 1960 e 1970, aparecem descritos como performaces, o que chama a atenção para as dificuldades de delimitar os contornos específicos dessa modalidade de arte. Para melhor ilustrar essa expressividade contemporânea podemos citar alguns trabalhos importantes para definirmos melhor a performance;
Nas raízes do “movimento” no Brasil temos as primeiras manifestações performáticas lançadas por Flávio de Carvalho (1899/1973), considerado o precursor dessa linguagem no país.
Em suas investigações, principalmente em suas ações performáticas, fica clara a idéia de experimentação e a preocupação com o processo de criação, no sentido de refletir e recriar uma poética por vezes subjetiva, abordando filosoficamente a relação arte/público.
Quando Flávio de Carvalho atravessou de chapéu uma procissão de Corpus Christi, caminhando em sentido oposto aos fiéis. Segundo o artista, ele procurou
testar a (in)tolerância da comunidade religiosa ali reunida e, depois de ter sido salvo de um linchamento pela polícia, reuniu suas impressões psicológicas sobre o episódio em um livro de mesmo nome.
Em 1933, criou o “Bailado do Deus Morto”, espetáculo experimental de cenografia
futurista, em que atores dançam o nascimento e a morte de Deus. No dia seguinte à
apresentação, o teatro do Clube dos Artistas Modernos, local da encenação, foi fechado,
gerando nova polêmica em torno das criações de Flávio.
Na década de 1950, o artista, mais uma vez, lançou mão de uma atitude
performática (bem aos padrões dos happenings, cujo conceito, então, começava a se
sedimentar nos EUA). Essa foi a Experiência nº 3, dirigida a um público amplo e aleatório, nas ruas do centro de São Paulo. Flávio, simplesmente, lançou o “traje de verão masculino”, desfilando de saias, meias e camisa de manga bufante, segundo ele mesmo, a roupa mais adequada ao clima tropical.
Pode-se dizer que, nesse período, o experimentalismo na arte foi influenciado pela
Contracultura. O happening e a body-art se consolidaram no cenário internacional e a fusão das linguagens cênicas com as artes plásticas catalisou as novas formas de expressão e as propostas conceitualmente mais elaboradas da arte da
performance. |